quinta-feira, 25 de junho de 2015

NEGOCIAÇÃO DE DÍVIDAS COM INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS

10 PRINCIPAIS passos para obter uma boa negociação com as instituições financeiras


1) Faça cálculos realistas

De nada adianta chegar na mesa de negociação do banco e aceitar uma proposta que você não terá condições de pagar. Lembre-se disso sempre viu?


O primeiro passo, portanto, é colocar no papel a renda líquida do mês (descontados impostos e benefícios), e subtrair os gastos essenciais, como habitação e saúde etc.Lembra do orçamento?

Após realizar esse cálculo, você deve eliminar os gastos supérfluos. O saldo final é o que deve ser proposto como pagamento mensal da dívida ao banco. Já deduzido ao menos 10% da sua reserva de emergência.

Nesse cálculo, é possível também incluir rendas extras que serão recebidas no futuro, como o 13º salário, PLR e abono de férias por exemplo. Tudo isso pode ser utilizado para abater a dívida e render descontos.

2) Analise o contrato 

Antes de renegociar a dívida, verifique se o contrato do financiamento não contém irregularidades, seja porque provoca prejuízos consideráveis ou cobra taxas a mais. 

Caso haja alguma irregularidade, você deve denunciá-la aos órgãos de defesa do consumidor e ao Banco Central e utilizar isso como argumento na busca por um acordo com o banco. Dessa forma, será possível melhorar as condições do pagamento do débito.

Esta dica é válida principalmente no caso de empréstimos que têm valor maior, como os financiamentos de veículos. Essas operações podem embutir taxas extras irregulares. Também é recomendável revisar o cálculo do saldo devedor.

3) Pesquise as condições oferecidas por outros bancos

É possível portar a dívida (a chamada portabilidade, já ouviu falar?) para outra instituição financeira que ofereça condições melhores de pagamento. Ao pesquisar taxas de juros, prazos e benefícios oferecidos por outras instituições você pode pressionar o seu banco para que sejam oferecidas condições semelhantes.

Caso o acordo não avance, você deve considerar levar a dívida para outra instituição financeira e alguns bancos não exigem abertura de conta corrente nesse caso.

4) Contate o banco da forma certa

Alguns bancos, como o Bradesco, já permitem ao cliente renegociar a dívida online. Para realizar uma proposta, basta inserir o valor da entrada e prazo de pagamento.

Eu recomendo entrar em um acordo com a instituição financeira pessoalmente.

Soluções online, além de padronizadas, podem ser baseadas em um perfil médio de cliente. A proposta pode não ser a melhor para o seu perfil do consumidor

De qualquer forma, o acordo deve ser documentado por escrito, e até com assinatura de testemunhas, no caso dos acordos feitos na agência.

Se a negociação só for possível por telefone, recomendo  guardar o registro do atendimento.

5) Sugira soluções durante a conversa

É necessário participar de forma ativa do acordo. Mas, para isso, é necessário fazer propostas razoáveis.

Caso você tenha contratado um financiamento de veículo por exemplo, em 48 parcelas, com juros de 1,2%, e em apenas três meses de pagamento e atrasar a parcela, dificilmente a instituição financeira vai reduzir os juros contratados. Pode acreditar...

O que subentende-se e o seguinte: O consumidor estava ciente da taxa e o prazo é curto para negociar essa condição. Nesse caso, é melhor renegociar tarifas extras, como seguros, por exemplo.

No caso do financiamento de veículos e outros bens, os juros geralmente podem ser negociados apenas quando a inadimplência ultrapassa três meses. Após esse prazo, os bancos podem passar a cobrar juros de mora, o que eleva a taxa de juros prevista no contrato.

Caso a dívida seja no cartão de crédito, a situação muda. Os juros cobrados no cartão, em média de 10,5% ao mês, podem ser considerados abusivos.

Portanto, no momento em que você verificar que não conseguirá pagar a fatura do cartão, é necessário pedir imediatamente a suspensão de cobrança de juros futuros e renegociar o débito o quanto antes.

Enquanto você não se manifestar, a dívida irá crescer de forma rápida e pode se tornar impagável, o que dificulta acordos.

6) Analise a contraproposta do banco

Antes de aceitar a proposta oferecida pela instituição financeira, no calor da negociação, peça um tempo para refletir sobre as condições do acordo. Lembre-se disso.

Geralmente a primeira proposta do banco costuma vir com valores altos e apenas alonga a dívida, repartindo o débito em mais parcelas para dar a impressão de que a prestação não vai pesar no bolso. Porém, é necessário analisar se há, de fato, um benefício na opção. Quanto mais parcelas, mais juros o consumidor vai pagar, ainda que a taxa seja baixa.

É necessário verificar se o prazo proposto para o pagamento da dívida não é muito extenso e se, em um tempo menor, é possível que as parcelas ainda caibam no se bolso.

A taxa de juros cobrada também não deve estar acima da média praticada no mercado, o que pode aumentar de forma considerável o valor da dívida, além dos riscos de um novo descontrole no futuro. 

Juntar todas as dívidas do banco em apenas um débito também pode não ser uma solução. Ao fazer isso pode ser mais difícil calcular o benefício do acordo, já que cada modalidade de crédito tem uma taxa de juros específica. Mas isso não é uma regra viu?

Você deve estar se perguntando... Caramba! Como é que ele sabe disso tudo? 10 anos atuando em instituições financeiras está bom pra você? rs . Sei quase tudo, o suficiente para poder te ajudar a sair do buraco beleza?

7) Não se intimide

Algumas instituições aproveitam o momento de fragilidade e assediam o cliente ao condicionar a renegociação da dívida à contratação de serviços.

Essa prática é considerada venda casada e é proibida pelo Código de Defesa do Consumidor. Nesse caso você não deve aceitar nenhuma proposta que traga ônus e serviços que não irá utilizar.

A forma de cobrança, caso seja feita em tom de ameaça, também pode render indenizações. 

8) Se não houver acordo, peça ajuda

Caso não seja possível entrar em um acordo com o banco, é possível pedir ajuda de forma gratuita.

Os Núcleos de Superendividamento do Procon e a parceria da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) com as Defensorias Públicas de Estado do Rio de Janeiro, de Rondônia e do Tocantins auxiliam acordos entre consumidores e instituições financeiras.

Porém, ambas as opções são apenas para clientes que se enquadrem no perfil de superendividado e já estão inadimplentes. Para quem precisa de ajuda e não se enquadra no perfil, pode ser necessário contratar um advogado, e arcar com as despesas do serviço ou não.


9) Participe de feirões

Antes de buscar um acordo com o banco, verifique também se há mutirões para renegociar débitos sendo realizados e se a instituição financeira participa dessas negociações. Esses eventos não têm um cronograma fixo.

As condições oferecidas nos feirões geralmente são melhores do que a oferecida em acordos individuais. Isso porque o banco busca receber pagamentos pelo volume de acordos, e não pelo valor de cada negociação.

Mesmo assim, vocêr deve se preparar para a negociação. Na ansiedade de resolver o débito durante o evento, o acordo pode ser desfavorável para o seu bolso.

10) Não caia de novo na armadilha

Depois que a dívida for renegociada, é necessário um cuidado ainda maior para não descontrolar as finanças novamente.

Caso você volte a não conseguir pagar a dívida, será mais difícil renegociar o débito com o banco. A instituição financeira fica menos flexível em caso de reincidência.

O banco pode, nesse caso, optar por não baixar a taxa de juros ou reduzir o valor da dívida e também se negar a alongar o prazo de pagamento.

Os bancos costumam ter seus próprios cadastros de inadimplência. 

O endividamento deve corresponder, no máximo, a 30% da renda para evitar descontroles financeiros.
Alexandro Anacleto

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