segunda-feira, 13 de abril de 2015

Poupança: o que está acontecendo com ela?


Essa semana tivemos a notícia do recorde de resgate do saldo da poupança, aplicação mais conservadora e utilizada pela maioria dos brasileiros. Ao tentarmos identificar as possíveis causas que levaram a esse patamar, podemos listar vários. Mas, analisando friamente, há três pontos importantes:

O primeiro é que, aqueles que são educados financeiramente, ou seja, têm controle de seus gastos, sabem e investem periodicamente, e ainda possuíam algum saldo na poupança, efetuaram seu resgate para substituir por outras aplicações de mesmo risco, mas de maior rentabilidade, já que, com a Selic e a inflação em alta, os rendimentos da caderneta não têm sido interessantes.
Alterações ocorridas em março nas aplicações do Tesouro Direto facilitaram essa “portabilidade”, uma vez que melhoraram o entendimento dos títulos existentes, com alteração do nome, bem como a ampliação do resgate de semanal para diário. Assim, para aqueles que ainda tinham receio ou pouco entendiam, a análise se tornou mais facilitada.

O segundo ponto é que, para aqueles que não são educados financeiramente, sem controle sobre suas finanças e que vivem fora do atual padrão de vida, os aumentos de tributos ocorridos desde o começo do ano – dentre outras situações como baixo crescimento da economia e possível perda de emprego – fizeram com que essas pessoas não pudessem honrar com todos os seus compromissos.

Como último ponto, mas não menos importante, houve um abalo de confiança dos brasileiros quanto à politica econômica do Brasil, visto pelas crescentes notícias de corrupções, aumentos constantes dos tributos para equalizar o caixa do país e diversas manifestações ocorridas. E, assim, voltou-se em discussão um novo confisco da poupança, assustando a todos aqueles que vivenciaram isso anos atrás e que não querem perder seus únicos recursos poupados.
Resumindo, entendo que diversos fatores colaboraram com essa movimentação, tanto do lado positivo quanto do negativo. Mas espero que, com educação financeira, nosso país possa conhecer, compreender e escolher melhor seus investimentos, ao saber diagnosticar sua real situação, colocar um objetivo de vida (que seja de curto, médio e longo prazo), orçar esses objetivos e poupar adequadamente, para que, mesmo com crises, possa passar por elas da melhor maneira.
Escrito por  Cintia Senna Santos

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