terça-feira, 3 de março de 2015

Dívida: use com moderação

Endividamento é uma palavra que assusta qualquer um, principalmente quando pesquisas revelam que o índice está aumentando já entre os jovens. No entanto, com a minha longa experiência como educador e terapeuta financeiro, posso afirmar que, na verdade, a maioria das pessoas possui um entendimento errado sobre o significado de ter dívidas.
Além disso, saliento que os institutos de pesquisa não abrangem a população em sua totalidade, uma vez que não conseguem mensurar as pessoas que estão fora do sistema bancário, ou seja, aquelas que, ao invés de pegarem linhas de crédito ou usarem o limite do cheque especial, pedem empréstimo para amigos e familiares ou ainda abrem uma conta em mercados, açougues e padarias para pagar no final do mês. E isso quer dizer, claro, que o número real de endividados pode ser bem maior.
Mas aí entro na questão: será que estar endividado é algo tão ruim assim? Se não for controlado, sim, pois o endividado passará a ser inadimplente, o que fará com que tenha complicações, podendo ter seu nome na lista do SPC e Serasa, por exemplo; agora, se for consciente, não é um problema, faz parte da vida. Inclusive, os investidores, muitas vezes, são endividados, pois possuem uma visão empreendedora e comprometem os seus recursos para impulsionar seus ganhos.
Um bom exemplo de quando dívida não é ruim é alguém que, mesmo sem ter o dinheiro para bancar à vista, paga a educação dos filhos ou um curso profissionalizante para si; nessas situações, a dívida é considerada um investimento, portanto, não há nada de errado, muito pelo contrário, em médio e longo prazo, haverá um retorno, seja cultural, profissional ou financeiro.
O contrário – a dívida sendo um problema – é quando a pessoa nem sequer sabe com o que gasta e acaba precisando utilizar linhas de crédito para honrar com os compromissos. Isso se torna um círculo vicioso, que faz com que o devedor se enrole cada vez mais com as finanças e, consequentemente, realize menos sonhos. Viver fora do padrão de vida e não respeitar o dinheiro que ganha são consequências da falta de educação financeira, que, infelizmente, é a realidade da maior parte da população brasileira.

Para que isso mude, é necessário ter essa consciência e buscar se informar mais sobre essa questão da educação financeira, por meio de livros, palestras e cursos – alguns online e até gratuitos, basta procurar. Os sonhos movem as pessoas e fazem com que elas tenham disciplina para mudarem de endividados descontrolados para indivíduos conscientes e sustentáveis.
Reinaldo Domingos DSOP

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